Politica

Uso de verbas destinadas à saúde e processo de impeachment foram destaques nos pronunciamentos desta terça

Na Sessão Plenária desta terça-feira (28) o tema da saúde, mais especificamente a aplicação das verbas destinadas ao combate ao coronavírus, assim como o processo de impeachment foram os temas mais citados nos pronunciamentos dos parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) afirmou que nesta semana que antecede a entrega do parecer do relator do processo de impeachment é impossível não tratar do assunto. Ele defendeu que a peça do impeachment trata sobre má versação de verba da saúde e é um erro pensar que alguns depoimentos e fatos não podem ser levados em consideração porque não constam na peça do impeachment. “Como desconsiderar a fala de uma agente pública que relata a participação direta do governador? A Covid-19 deixou marcas na população e infelizmente é quase impossível que cada um de nós não conheça pelo menos uma vítima da Covid-19, que se entrelaça com a questão do impeachment. É um processo doloroso, mas necessário ao povo do amazonas”, afirmou. Barreto se referiu a questionamentos da bancada governista que alegou que alguns depoimentos não constam da denúncia feita originalmente pelo presidente do Sindicato dos Médicos, Mário Vianna, e que não poderiam ser utilizados.

Dermilson Chagas (Podemos) também citou o conteúdo do depoimento da gerente de compras da Secretaria de Estado de Saúde, Alcineide Figueiredo, como uma carta condenatória. “Através da fala da dona Alcineide, podemos apurar que o governo e todos aqueles envolvidos na compra dos respiradores foram omissos pois sabiam que aqueles aparelhos não eram adequados e não serviriam para pacientes encaminhados ao hospital Nilton Lins e, portanto, assumiram a responsabilidade pelas mortes daqueles que não tiveram acesso a tratamento adequado. “O governo do Estado gerou esperança, oferecendo atendimento a pacientes graves na Nilton Lins e muitos morreram pela falta do atendimento adequado. Não podemos aceitar o arquivamento do processo de impeachment em nome das mais de três mil pessoas que morreram por conta dessa omissão”, ressaltou. Wilker aparteou, destacando a clara subnotificação de casos durante a pandemia, reforçando que pessoas morreram por conta da negligência do governo e que no depoimento materializam-se os indícios de organização criminosa responsável pelas mortes das vítimas de Covid-19.

Sobre o processo de impeachment, Alessandra Campêlo (MDB) esclareceu que o rito é algo muito rigoroso, cuidadoso e constitucional, que deve ser obedecido. “A população deve tomar cuidado com pessoas ou grupos cujo interesse é levar o assunto de impeachment até as eleições municipais, fazendo do impeachment um palanque político porque não têm propostas”, alertou. Delegado Péricles aparteou, respondendo uma citação da deputada sobre a CPI da Saúde. Ele esclareceu que o trabalho da CPI,da qual ele é presidente, é técnico e de apuração de fatos. “Se algum representante de gestões anteriores não apareceu ainda é porque não foi convocado. Mas  tão logo seja necessário, será sim convidado a ser ouvido”, garantiu Delegado Péricles.

Orla do São Raimundo e Rio Tarumã

O deputado Serafim Corrêa (PSB) defendeu a continuidade da obra de urbanização da Orla do São Raimundo e o resgate da Orla do Tarumã, a exemplo do que foi feito em Brasília, na área do Lago Sul. “A área do Rio Tarumã tem de ser tomada de volta para o povo, porque hoje aquilo pertence a poucos, que são proprietários de flutuantes e casas na beira do Rio Tarumã. O tema suscitou debates entre os demais parlamentares, como Carlinhos Bessa (PV) que no aparte destacou a necessidade de uma política pública de reorganização através de regulamentação dos flutuantes. Augusto Ferraz (DEM), sugeriu que o estado aproveitasse os flutuantes e a área do rio para investir no turismo, porque o rio Tarumã possui uma vertente pulsante nesse sentido, de acordo com ele. Já Roberto Cidade (PV) aparteou, lembrando um projeto de lei apresentado por ele, sobre segurança aquática nos rios de Manaus.

Pirataria nos rios

Fausto Junior (PRTB) falou sobre requerimento apresentado por ele, solicitando à Secretaria de Estado de Segurança providências sobre os ataques piratas nos rios, especialmente na área dos municípios banhados pelo Rio Solimões, que também é usado pelos criminosos como rota de tráfico de drogas. “Tenho recebido várias denúncias de arrastões a casas flutuantes. É preciso um policiamento ostensivo de lanchas para devolver a segurança da população que tem medo até de pescar por causa dessa insegurança”, afirmou.

Plano de Saúde

A falta de cobertura do plano de saúde Hapvida foi mais uma vez cobrado pelo deputado estadual Sinésio Campos (PT) em pronunciamento no Pequeno Expediente. Segundo ele, o governo do estado oferece o plano para 30 mil servidores da saúde, mas pelo menos 15 mil não tem acesso ao benefício porque o plano não atende no interior do Amazonas. “Nossa sugestão é que o estado faça convênios e parcerias com clínicas nos municípios polo, para que os professores e servidores do interior também tenham acesso ao benefício”, apontou.

Independência do Peru

Adjuto Afonso (PDT) parabenizou o Peru, pela passagem dos 199 anos de independência, lembrando o trabalho de cerca de 300 profissionais da saúde peruanos que trabalham no interior e contribuíram muito para que o Amazonas hoje viva esse momento de decréscimo da pandemia.