Arte da Nossa Terra Cultura

ARTESÃOS AMAZONENSES

Nov’Arte

Da madeira caída depois de temporal e queimada, os artesãos de Novo Airão produzem os mais variados objetos, como caixas, utensílios e acessórios. As mãos que esculpem a madeira se inspiram principalmente na fauna da região e em objetos muito presentes no cotidiano dos moradores. Um dos produtos mais procurados, entretanto, não tem origem amazônica, mas indonésia. Trata-se do sapo cantor, hoje conhecido em todo o mundo e que em Novo Airão faz madeiras como a itaúba, o roxinho, a muirapiranga e a jaqueira cantarem ritmicamente com sons suaves e melódicos.

A dureza e a densidade da madeira indicam que tipos de peça podem ser esculpidas. Por exemplo, as madeiras mais duras permitem um entalhe mais fino e preciso, em relação às mais macias. Assim, cada galho ou tronco colhidos na mata, ou de refugos de serrarias possui uma forma que ganha vida nas mãos dos artesãos. Assim nascem esculturas de tatus, tartarugas, jabutis, capivaras, pacas, tucanos, araras, sapos, peixes-boi, botos e peixes como o tucunaré, o matrinxã, o pirarucu, o aruanã, entre outros. Algumas peças são feitas por meio da colagem de vários tipos de madeira o que produz um contraste que realça a beleza de cada uma delas.

Onde criam?

Novo Airão encontra-se a cerca de 180 km de Manaus, em uma região que dá acesso a dois dos mais importantes parques nacionais da Amazônia: o Parque Nacional de Anavilhanas, considerado o segundo maior arquipélago fluvial do mundo, com cerca de 400 ilhas, e o Parque Nacional do Jaú, o segundo maior parque nacional do Brasil, declarado pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. Esse parque é de grande importância para a preservação dos ecossistemas das bacias do Rio Negro e do Rio Solimões, uma vez que se encontra entre as duas.

Lugar habitado por botos-vermelho, botos-tucuxi (cinzentos), peixes-boi e Sumaúmas, árvore amazônica que chega a 40 m de altura e de gigantescas raízes, Novo Airão é conhecida por muitos como o “Paraíso Ecológico”. Mas para além das belezas indescritíveis e de sua importância ambiental, a região guarda certo mistério em relação ao seu passado que se materializa na cidade fantasma de Velho Airão.

Quem cria?

Em 1994, do encontro entre o manauara Miguel Rocha da Silva e o suíço Jean-Daniel Vallotton, se concretizou o sonho de Miguel de ensinar artesanato em madeira com a reutilização de sobras da indústria naval no município de Novo Airão. Nasceu, assim, um núcleo produtor que reuniu antigos moradores do Parque Nacional do Jaú e da Estação Ecológica de Anavilhanas e moradores de Novo Airão com o intuito de ensinar e incentivar as técnicas da marcenaria e do entalhe.

Seguindo a proposta de trabalhar com o aproveitamento de madeiras, os artesãos saem em busca de galhos caídos nos roçados que as pessoas queimam para plantar e também em serrarias e estaleiros navais.

FONTE: https://www.artesol.org.br/rede/membro/nov_arte