Saúde

Tipos de esquizofrenia: conheça os 4 principais

Ao contrário do que muitos pensam, esquizofrenia não tem nenhuma relação com pessoas de múltiplas personalidades (este transtorno também existe e é denominado de “transtorno dissociativo de identidade”). Esquizofrenia foi um termo cunhado pelo psiquiatra suíço E. Bleuler, no início do século XX e tem origem nas raízes gregas schizo (cindir, dividir) e phren (mente), no sentido de que as funções mentais se encontrariam divididas nesses pacientes (1, 2) NÃO PARE AGORA… TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE 😉 A esquizofrenia é um transtorno psicótico, ou seja, um distúrbio no qual a pessoa perde sua conexão com a realidade, seja na forma de alterações em pensamentos, percepções ou no seu comportamento visível. Saiba mais: Esquizofrenia: como identificar se um amigo ou familiar está com sinais da doença? Assim, segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Americana, pessoas com esquizofrenia, em algum momento, apresentam pelo menos duas das seguintes alterações, sendo que pelo menos uma delas deve provir das três primeiras da lista (3): •Alucinações, geralmente vozes que a pessoa ouve, mas que não provêm de nenhuma fonte real •Delírios, pensamentos irreais de várias naturezas como de, por exemplo, estar sendo perseguida, ser onipotente ou que marcianos estão para invadir a Terra •Discurso desorganizado, pensamentos expressos com grosseiras incorreções sintáticas, por vezes sem nenhuma conexão perceptível entre as ideias •Comportamento grosseiramente desorganizado, sem objetivo compatível com a realidade do indivíduo, ou catatônico, com posturas rígidas como de uma estátua e mantidas por períodos mais ou menos prolongados, por vezes uma completa imobilidade, com a pessoa inclusive resistindo quando se tenta mudar sua posição •Sintomas chamados de negativos, a pessoa perde sua capacidade normal de expressar emoções e/ou a vontade de atingir objetivos pessoais em médio e longo prazo. Outras considerações importantes para que se possa fazer o diagnóstico de esquizofrenia é que, após o início dos problemas, o nível de funcionamento caia (como as relações interpessoais, desempenho no trabalho ou nos estudos, cuidados consigo mesmo), quando comparado ao nível antes do aparecimento dos sintomas. Também só se faz o diagnóstico de esquizofrenia quando a perturbação aparece de forma contínua por pelo menos seis meses e, no decorrer destes seis meses, durante pelo menos um mês tenham ocorrido os sintomas acima. NÃO PARE AGORA… TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE 😉 Existem tipos de esquizofrenia? Classicamente, o transtorno esquizofrênico era subdividido nos seguintes tipos: •Esquizofrenia paranoide, com predomínio de alucinações e delírios •Esquizofrenia heberfrênica ou desorganizada, com predominante pensamento e discurso desconexo •Esquizofrenia catatônica, em que o paciente apresente mais alterações posturais, com posições bizarras mantidas por longos períodos e resistência passiva e ativa a tentativas de mudar a posição do indivíduo •Esquizofrenia simples, em que a pessoa, sem ter delírios, alucinações ou outras alterações mais floridas, progressivamente ia perdendo sua afetividade, capacidade de interagir com pessoas, ocorrendo um progressivo prejuízo de seu desempenho social e ocupacional, por vezes levando os indivíduos afetados a uma vida de sem-teto e vagando pelas ruas. A quinta e última edição do Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM 5) apagou estas divisões, por considerar que eram demasiadamente frequentes os quadros em que os sintomas dos subtipos apareciam associados ou se alternavam ao longo da vida da pessoa. Além disso, também levou em conta que muitos estudos não observaram diferenças na evolução e no tratamento dos subtipos. Entretanto, outros autores contestam a supressão desta divisão, alegando que há pesquisas, sim, que mostram várias distinções entre os subgrupos e que, possivelmente, com o refinamento da tecnologia dos estudos, as diferenças entre seus sintomas se tornarão progressivamente mais claras. O que causa a esquizofrenia? Não se conhecem exatamente as causas da esquizofrenia. Desde as primeiras descrições científicas, em fins do século XIX e início do século XX, acreditou-se que as causas fossem distúrbios cerebrais. Hoje em dia se sabe que, apesar de não haver nenhuma alteração conhecida que seja característica da esquizofrenia, os cérebros de pessoas com esquizofrenia apresentam uma série de anormalidades: diminuição da substância cinzenta (basicamente as áreas correspondentes aos corpos das células nervosas) e da substância branca (correspondente às interconexões entre áreas do sistema nervoso), assim como alterações de seu funcionamento fisiológico levando ao prejuízo no desempenho em testes psicológicos como, por exemplo, os de memória (4). NÃO PARE AGORA… TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE 😉 A esquizofrenia costuma evoluir em surtos, nos quais os sintomas acima se tornam mais evidentes, seguidos de uma diminuição dos sintomas mais floridos. Entretanto, via de regra, sem tratamento, a pessoa afetada não costuma recuperar sua sanidade por completo. Os sintomas que geralmente permanecem levam o nome, em algumas classificações, de “esquizofrenia residual”. Com o tratamento dos surtos, principalmente com as medicações antipsicóticas mais novas, há uma maior frequência de casos em que a recuperação é completa ou, pelo menos, o estado residual se mostra mais brando.