Psicologia

“Possuir”, na nossa atualidade é sinônimo de Felicidade.

São tantos artefatos e produtos que proporcionam a “salvação” do individuo, que representam bem-estar e êxito, que perdem-se de vista. Atingindo indivíduos de toda e qualquer classe social, através dos veículos de comunicação de massa, sérias consequências são causadas em nosso modo de pensar e agir tornando-nos alienados, fora de nossa própria realidade.
A ilusão de domínio sobre a natureza e a exacerbação do TER sobre o SER é um processo que surgiu com a criação do excedente, ainda no modo de Produção Comunal Primitivo, o que permitiu a especialização e as trocas, e levou a uma contínua e crescente exploração da natureza pelo homem, bem como do próprio homem pelo homem.
A situação de dominação implícita nesse processo de consumação é evidente. O individuo desumaniza-se aos olhos de tais promotores e passa a ser visto como entidade econômica, consumidor potencial, cujo poder aquisitivo que o circunda permite-lhe possuir produtos aos quais se habitue e sem os quais não possa sobreviver, uma vez que está literalmente viciado no consumo de mercadorias que o dopam. Com essa dopagem dilui-se o discernimento, a escolha e a faculdade do livre arbítrio; deste modo, a dominação do espírito humano pretendida pelo discurso-mercadoria serve á ordem dominante, seja ela de que natureza for.
É preciso perceber essa situação se não quiser adoecer. Consumir não é um mal em si mesmo. O mal está em sermos usados pelo consumismo. Antes que nos esqueçamos, de que somos gente e de que precisamos de saúde mais do que de dinheiro; de carinho mais do que de sucesso; e de amizade e compreensão muito mais do que de consumir; ou, então, nos perderemos em meio á ilusão de Ter e nos esquecemos de Ser.
Sabemos que o homem interfere e interage na natureza através do seu modo de ser, de produzir; através do tempo, torna-se cada vez mais impactante. É fato que, á medida que o homem aumenta sua capacidade de intervir e interagir no meio ambiente, surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos em função da tecnologia disponível.
Triste perceber que no mundo em que vivemos a muito que se impera a cultura do Ter, o homem não enxergava que era ele que estava sendo possuído pela ganancia de sempre possuir mais, de ter, muitas vezes passando por cima de quem ousasse atravessar o seu caminho, esquecendo-se de SER; de seus valores, de sua família, de viver em paz com seu próximo. Nesta sociedade, progresso e desenvolvimento são entendidos como sinônimos de uma cada vez ter maior quantidade de bens de consumo. Trata-se de mercadorias que se encontram no grande “bazar planetário”, do qual o homem é um simples fator de produção e a natureza é o almoxarifado dos recursos naturais e o lixo dos resíduos da produção.
Infelizmente quando ele pensa que a possui, acaba por produzir maciçamente utilizando exageradamente os recursos naturais que constituem o meio ambiente, temos com isso o capitalismo estabelecendo sua dominação sobre a natureza, extinguindo, adaptando, criando e reproduzindo espécies de animais e vegetais, construindo represas, estradas e lagos, enfim, modificando, atuando efetivamente no meio-ambiente.
Perfeito seria se todos se vissem como espécie, percebendo o ambiente em que vive, possibilitando a si mesmo refletir sobre os problemas de sua realidade, a fim de buscar soluções para a sua melhor qualidade de vida e de sua comunidade. Priorizar o SER é se permitir evoluir espiritualmente, é ultrapassar a dimensão do TER, fazendo assim distinção entre ambos, valorizando o SER, é um estado de espírito e uma série de sentimentos concomitantes em que predominam a paz interior e a alegria de se sentir vivo e sabedor do que é e para que está aqui. Temos que está aonde nos sentimos bem e principalmente trabalhar no que gostamos, no que nos da prazer. Tudo o que somos existe em relação, para ser mais, basta SER nas relações com as pessoas.

Crisângela Menezes